{"id":1095,"date":"2026-04-20T17:16:28","date_gmt":"2026-04-20T20:16:28","guid":{"rendered":"https:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/?p=1095"},"modified":"2026-04-20T17:16:28","modified_gmt":"2026-04-20T20:16:28","slug":"jiu-jitsu-e-o-combate-interno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/jiu-jitsu-e-o-combate-interno\/","title":{"rendered":"JIU-JITSU E O COMBATE INTERNO"},"content":{"rendered":"\n<p>O treino de Jiu-Jitsu nada mais \u00e9 do que uma bolha. Sim, uma bolha.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, quando falamos em bolha, o entendimento mais comum \u00e9 relacionado aos assuntos e temas, geralmente pol\u00edticos ou religiosos, com os quais tal indiv\u00edduo tende a se envolver. Esque\u00e7a bolhas de sab\u00e3o. As crian\u00e7as n\u00e3o brincam mais com isso.<\/p>\n\n\n\n<p>No treino, a bolha do cotidiano \u00e9 substitu\u00edda por uma ou duas horas. E, por esse per\u00edodo, nenhuma outra bolha de conte\u00fado ou de som \u00e9 capaz de interferir. Esse \u00e9 um relato comum nos treinos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cFazia tempo que eu n\u00e3o me sentia presente no lugar onde estou.\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p>Na primeira an\u00e1lise, \u00e9 f\u00e1cil compreender, pois voc\u00ea n\u00e3o quer correr o risco de sofrer uma finaliza\u00e7\u00e3o por ter lembrado que precisa pagar uma conta at\u00e9 a meia-noite. Simplesmente, voc\u00ea n\u00e3o vai lembrar da conta naquele per\u00edodo, porque compreende que est\u00e1 em conflito, est\u00e1 em combate, e suas melhores energias e habilidades foram canalizadas para este duelo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Imagine se consegu\u00edssemos agir assim durante o dia. Seria preciso fingir que estamos em combate. Fingir? Ser\u00e1 que n\u00e3o estamos, de forma ininterrupta, em combate?<\/h2>\n\n\n\n<p>Algumas pessoas chegam ao Jiu-Jitsu com a sensa\u00e7\u00e3o de que est\u00e3o ali para aprender a lutar. Mas a luta jamais acontece contra um colega. O colega at\u00e9 pode representar um advers\u00e1rio real, mas a luta \u00e9 sempre interna.<\/p>\n\n\n\n<p>No tatame, temos que lidar com a falta de ordem em nossa vida. Temos que lidar com o descompasso entre o que desejamos e o que conseguimos aceitar que desejamos. O Jiu-Jitsu \u00e9 um processo de liberta\u00e7\u00e3o que acontece no campo das ideias.<\/p>\n\n\n\n<p>Somos movidos pelas ideias que conseguimos colocar em pr\u00e1tica. A imagem que emitimos \u00e9 o resultado do que pensamos, dizemos e realizamos. Ningu\u00e9m tem acesso aos nossos pensamentos, poucos t\u00eam acesso ao que dizemos, e todos que nos enxergam podem perceber o que fazemos de fato.<\/p>\n\n\n\n<p>O Jiu-Jitsu combate a incoer\u00eancia interna, exige que tudo esteja alinhado. Exige que o nosso pensamento esteja alinhado com a realidade e cobra essas realiza\u00e7\u00f5es. O Jiu-Jitsu \u00e9 uma forma de pensar, uma forma de enxergar a vida. \u00c9 uma ferramenta para ajustar nossa vis\u00e3o sobre a realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O tatame nada mais \u00e9 do que uma grande arena onde podemos ver as d\u00favidas internas sendo combatidas. As d\u00favidas que paralisaram as pessoas. Os relacionamentos que aceitamos por medo, por m\u00e1 postura e inseguran\u00e7a. As d\u00favidas que surgem quando n\u00e3o assumimos que desejamos vencer na vida.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se trata de vencer o oponente no tatame. Esse oponente costuma ter um nome em segredo; o colega de treino apenas representa isso. \u00c9 o trabalho, o cansa\u00e7o, \u00e9 a dificuldade em se expressar, a fam\u00edlia, a solid\u00e3o. Ideias que atacam qualquer ser humano. O duelo externo que acontece no tatame \u00e9 apenas um teatro para uma briga s\u00e9ria que acontece na alma.<\/p>\n\n\n\n<p>A ferramenta do Jiu-Jitsu \u00e9 um ant\u00eddoto para que o sujeito volte a enxergar a realidade tal qual ela \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas ideias circulam por a\u00ed com uma boa apar\u00eancia, mas muitas delas podem afetar a nossa vida de forma tr\u00e1gica. Uma das principais: fugir da dor e buscar o prazer.<\/p>\n\n\n\n<p>A conquista por meio de um sacrif\u00edcio \u00e9 mais prazerosa do que o prazer barato. \u00c9 preciso amadurecer para enxergar esse fen\u00f4meno: o sacrif\u00edcio. N\u00e3o o trabalho pago, o cuidado por meio de troca, o carinho por interesse, mas o sacrif\u00edcio apenas pelo certo. \u00c9 treinar sem buscar a faixa. \u00c9 treinar pelo processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa dicotomia \u00e9 dif\u00edcil de ser compreendida e, justamente por isso, \u00e9 mal interpretada de forma coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Na nossa cultura do cliente, em que tudo gira em torno da economia e das necessidades de uma pessoa abstrata chamada cliente, o conforto e o prazer s\u00e3o moedas muito atraentes. Afinal de contas, o tal do cliente migra para outra marca com a menor oferta de um pontinho a mais de conforto nessa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa ideia \u00e9 uma das piores que o ser humano j\u00e1 abra\u00e7ou. N\u00e3o posso calcular o preju\u00edzo que ela j\u00e1 nos causou, mas, para qualquer pessoa atenta ao comportamento e \u00e0s rela\u00e7\u00f5es humanas, \u00e9 poss\u00edvel enxergar que a ideia sobre dor e prazer, deveres e direitos tem feito muitos estragos e dificultado as rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando pensamos em estrat\u00e9gia, estamos entrando no campo do sacrif\u00edcio. Um caminho aleat\u00f3rio n\u00e3o costuma exigir esfor\u00e7o. Mas, basta termos um objetivo, teremos que nos esfor\u00e7ar para alcan\u00e7\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro passo da estrat\u00e9gia \u00e9 desvendar os inimigos. Quando estamos em guerra, e n\u00f3s sempre estamos e estaremos, a guerra da informa\u00e7\u00e3o \u00e9 a mais letal, pois pode levar um grupo inteiro ao decl\u00ednio por meios persuasivos invis\u00edveis. E, por serem invis\u00edveis, quem os enxerga n\u00e3o ganha cr\u00e9ditos, ganha deveres e costuma ser vaiado em pra\u00e7a p\u00fablica: o dever de persuadir os pr\u00f3ximos para que enxerguem o erro e o de aguentar a dor da solid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Fugir da dor e buscar o prazer \u00e9 um dos piores erros que temos cometido. Um tipo de ideia que impede pais e m\u00e3es de serem duros quando precisam ser, pois temem perder o amor aparente dos filhos. Impede que viciados em drogas de todos os tipos percebam que o \u00fanico meio para sair de um v\u00edcio \u00e9 aceitar a dor e o sacrif\u00edcio de se afastar da droga e de pessoas que os seguram nesse caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00f3pria dor que eu senti ao escrever esse texto me dizia para parar, pois n\u00e3o seria necess\u00e1rio; n\u00e3o havia um inimigo \u00e0 minha frente para ser combatido. Mas eu, somente eu, sabia que precisava escrever esse texto para combater um inimigo interno. Um inimigo interno que busca, h\u00e1 muito tempo, dizer para mim mesmo que uma ideia pessoal n\u00e3o \u00e9 importante e que posso deixar esse texto para l\u00e1. Ningu\u00e9m ir\u00e1 ler e ningu\u00e9m ir\u00e1 se importar.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso provavelmente \u00e9 verdade, por isso esse inimigo \u00e9 t\u00e3o letal. Mas \u00e9 verdade, tamb\u00e9m, que isso n\u00e3o importa. Eu precisava e preciso escrever para vencer um inimigo interno que tenta me impedir de realizar.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas ilus\u00f5es lingu\u00edsticas est\u00e3o por a\u00ed, aos montes, fazendo suas v\u00edtimas. M\u00e1s a\u00e7\u00f5es s\u00e3o combatidas com bons entendimentos. Bons entendimentos surgem do envolvimento cont\u00ednuo e do sacrif\u00edcio, em saber que somos chamados ao sobrenatural. Somos chamados aos deveres do esp\u00edrito, da mente e da carne.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, somos chamados a agir como campe\u00f5es. E os campe\u00f5es sofrem, simplesmente, por aceitarem que desejam vencer.<\/p>\n\n\n\n<p>Somos campe\u00f5es quando aceitamos aquela voz que surge l\u00e1 do fundo da alma. \u00c9 uma voz de crian\u00e7a, pois costumamos deixar de ouvi-la quando ingressamos na fase adulta.<\/p>\n\n\n\n<p>O Jiu-Jitsu n\u00e3o \u00e9 somente uma arte marcial, mas \u00e9 uma forma de voltar a se conectar com a realidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O treino de Jiu-Jitsu nada mais \u00e9 do que uma bolha. Sim, uma bolha. Hoje, quando falamos em bolha, o entendimento mais comum \u00e9 relacionado aos assuntos e temas, geralmente pol\u00edticos ou religiosos, com os quais tal indiv\u00edduo tende a se envolver. Esque\u00e7a bolhas de sab\u00e3o. As crian\u00e7as n\u00e3o brincam mais com isso. 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