{"id":1161,"date":"2026-07-01T10:48:40","date_gmt":"2026-07-01T13:48:40","guid":{"rendered":"https:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/?p=1161"},"modified":"2026-10-01T10:12:31","modified_gmt":"2026-10-01T13:12:31","slug":"o-artesanato-e-a-inteligencia-artificial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/o-artesanato-e-a-inteligencia-artificial\/","title":{"rendered":"ARTESANATO E INTELIG\u00caNCIA ARTIFICIAL"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vou me arriscar a prever o futuro. Sem futurismo, ali\u00e1s, sem ser um futurista nos moldes de hoje. Explico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considere que hoje a cada 10 eventos que cont\u00eam palestras, 10 deles ir\u00e3o abordar o tema da intelig\u00eancia artificial, e 4 desses dez ir\u00e3o abordar esse tema alegando que est\u00e3o trazendo uma perspectiva diferente, pois, a cada dez palestras, dez falam a mesma coisa. A perspectiva diferente eu ainda n\u00e3o vi, at\u00e9 porque ningu\u00e9m est\u00e1 realmente interessado na intelig\u00eancia artificial. Caso contr\u00e1rio, n\u00e3o ter\u00edamos uma avalanche de v\u00eddeos, postagens e textos que est\u00e3o servindo mais para dar vida aos memes do que para contribuir para a expans\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As pessoas est\u00e3o realmente interessadas e preocupadas com o seu futuro, com o comodismo que pode estar sendo abalado muito em breve e com o que fazer nesse novo poss\u00edvel cen\u00e1rio. Muitas tarefas sendo delegadas deixam um espa\u00e7o vago na mente. A boa tese versa que esse espa\u00e7o agora pode ser preenchido por coisas mais importantes e significativas. Esse espa\u00e7o vago n\u00e3o tem um substituto, n\u00e3o mais, e o desespero das pessoas come\u00e7a a aumentar de acordo com a evolu\u00e7\u00e3o desse processo. Como se estiv\u00e9ssemos presos em uma casa enquanto a enchente aumenta. Vamos subindo em m\u00f3veis, subimos em cima da casa, mas a \u00e1gua segue aumentando e n\u00e3o temos ideia do que iremos fazer quando formos levados pelo fluxo dessas \u00e1guas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Filmes como <em>Mad Max<\/em> teriam sido uma previs\u00e3o concreta? <em>Matrix<\/em> e a digitaliza\u00e7\u00e3o dos corpos s\u00e3o uma possibilidade real?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ningu\u00e9m est\u00e1 interessado, de fato, em intelig\u00eancia artificial. Assim como ningu\u00e9m esteve interessado na prensa de Gutenberg e em seus livros, que iriam romper com a longa trajet\u00f3ria de transmiss\u00e3o de conhecimento pela oralidade. Mas ningu\u00e9m estava interessado em livros. As pessoas nem sabiam ler. Como estariam interessadas? Assim como n\u00e3o sabem utilizar intelig\u00eancia artificial, nem compreendem exatamente para que serve, para que fins ela realmente veio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo assim, sempre h\u00e1 uma meia d\u00fazia de pessoas entendidas que compreendem essas quest\u00f5es. S\u00e3o essas pessoas que escrevem livros como <em>Simulacros e Simula\u00e7\u00f5es<\/em> (Jean Baudrillard), livro que inspirou o filme <em>Matrix<\/em>, que, de certa forma, pensou, raciocinou e escreveu para podermos comprovar que as mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas afetam as rela\u00e7\u00f5es humanas em todos os n\u00edveis, inclui-se, tamb\u00e9m, a esfera espiritual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pelos idos de 1980, quando esse livro foi escrito, digitalizar os corpos era algo muito interessante para Hollywood utilizar em filmes de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, mesmo que distante para o entendimento do vivente comum, que apenas quer saber se haver\u00e1 p\u00e3o na mesa no dia de amanh\u00e3. Mas, por volta dos anos 2000, com a populariza\u00e7\u00e3o da internet, essa digitaliza\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a ficar mais pr\u00f3xima. Ainda assim, mantinha-se contida em car\u00e1ter de analogia. Um perfil no Orkut ou no Facebook n\u00e3o seria uma esp\u00e9cie de digitaliza\u00e7\u00e3o dos corpos?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas eis que chega a intelig\u00eancia artificial, dominante, insens\u00edvel \u00e0s nuances humanas, capaz de eliminar qualquer natureza corrompida, eliminar o pecado por meio de alguma automatiza\u00e7\u00e3o. A promessa \u00e9 farta: doen\u00e7as ser\u00e3o eliminadas, a organiza\u00e7\u00e3o da economia ser\u00e1 perfeita, nada ser\u00e1 desperdi\u00e7ado, o ser humano tornar-se-\u00e1 in\u00fatil no que se refere ao trabalho e poder\u00e1 viver sua inutilidade nos bra\u00e7os da, carinhosamente apelidada, IA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Coletivamente, observe a si mesmo com sinceridade. \u00c9 como em um filme no qual o pai torna-se obsoleto com a chegada do noivo da filha, que \u00e9 um jovem, agressivo, inventivo e espirituoso. O pai sente o conflito de n\u00e3o servir mais para o que servia. Ele n\u00e3o protege mais a filha, ele nem mesmo consegue dar conselhos pertinentes. A filha gosta dele, mas segue o noivo, que ser\u00e1 seu futuro marido. O pai, percebendo que sua fun\u00e7\u00e3o tradicional foi descartada, imagina que n\u00e3o serve mais para nada, busca competir com o jovem, mas cai no rid\u00edculo. Mas trata-se da \u00faltima queda antes do elixir da sabedoria. Ele voltar\u00e1 renovado, n\u00e3o por superpoderes, mas pela integra\u00e7\u00e3o de sua consci\u00eancia. Ele realmente se deu conta de que n\u00e3o serve mais para o que fazia. Agora, a \u00fanica sa\u00edda \u00e9 entregar sua vida para a fam\u00edlia, coisa que o jovem ainda n\u00e3o consegue fazer por op\u00e7\u00e3o clara. Ele j\u00e1 consegue ser um her\u00f3i livre de paix\u00f5es. O jovem ainda precisa de sabedoria para fazer isso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Coletivamente, \u00e9 como se estiv\u00e9ssemos dando as m\u00e3os em eventos pouco enobrecedores, tentando nos sentir aliviados sobre esse noivo da filha, um novo integrante da nossa coletividade que \u00e9 muito mais capaz do que n\u00f3s em tudo o que nos propomos a fazer at\u00e9 aqui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ponto de virada do pai \u00e9 quando ele descobre que \u00e9 o \u00fanico capaz de sacrificar-se pela fam\u00edlia, pois ele conseguiu ver, ver mesmo, de verdade, que nunca valeu muita coisa e que o sacrif\u00edcio \u00e9 tudo o que h\u00e1. A cruz \u00e9 tudo o que h\u00e1 para carregar. Tentar superar o noivo \u00e9 in\u00fatil. Mas voltar \u00e0 base para compreender o sentido da pr\u00f3pria vida talvez seja a \u00fanica cura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu confio no poder do artesanato. No poder do trabalho manual, que \u00e9 capaz de conectar quem produz com o que \u00e9 produzido. Todos percebem esse fen\u00f4meno quando falamos em comida. Aquela comidinha feita pela v\u00f3. N\u00e3o tem igual. Podemos perceber, tamb\u00e9m, nos m\u00f3veis trabalhados por artistas. Eles inspiram, permanecem e causam sensa\u00e7\u00f5es profundas que n\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis de serem descritas sem o uso de figuras de linguagem po\u00e9ticas. No meu ramo, na comunica\u00e7\u00e3o, \u00e9 a mesma coisa. H\u00e1 uma exig\u00eancia por automatiza\u00e7\u00e3o, mas o resultado de uma comunica\u00e7\u00e3o estrategicamente pensada de forma artesanal \u00e9 muito diferente. Ela impacta, conecta, fala sobre a marca e sobre as pessoas envolvidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu confio no poder do artesanato. Se eu fosse dar uma palestra em um evento de intelig\u00eancia artificial, eu estaria naqueles 4 em cada 10 que dizem que ir\u00e3o abordar o tema de uma forma diferente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em algum momento da palestra eu falaria algo como:<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">\u201cEu quero viver alimentado por pessoas pr\u00f3ximas cozinhando, cadeiras trabalhadas por algum artes\u00e3o, quero plantar ingredientes, por que n\u00e3o batatas? Quero, tamb\u00e9m, treinar minha caligrafia, pois a minha letra \u00e9 terr\u00edvel. Quero ler e debater com amigos sobre como Tolkien foi genial. Quero fazer essas coisas tomando um chimarr\u00e3o em jejum, conversando pessoalmente e ao acaso, sem marcar hora, com algum amigo que mora pr\u00f3ximo. \u00c9 isso que eu sinto, \u00e9 o que o meu esp\u00edrito me fala e minha raz\u00e3o diz para procurar. \u00c9 isso o que realmente eu quero. Consigo ver v\u00e1rias camadas de paix\u00f5es desordenando meu centro de comando. Consigo ver o medo nas minhas atitudes, quando tento me dedicar a fazer algo que n\u00e3o acredito que seja o certo, mas tento fazer, mesmo sem vontade, pois \u00e9 o que o mundo parece pedir. Questiono internamente sobre o que eu sinto e o que o mundo me pede, tento me adequar, mas meu cora\u00e7\u00e3o s\u00f3 se acalma nos breves momentos em que consigo ficar comigo mesmo, apenas com a minha voz, sem barulhos, sem notifica\u00e7\u00f5es. Nesses breves momentos em que o meu esp\u00edrito consegue falar comigo, eu quero viver alimentado por pessoas pr\u00f3ximas cozinhando, quero sentar em cadeiras ornadas por artes\u00e3os e quero treinar minha caligrafia porque minha letra \u00e9 terr\u00edvel.\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vou me arriscar a prever o futuro. Sem futurismo, ali\u00e1s, sem ser um futurista nos moldes de hoje. 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