{"id":1173,"date":"2026-08-06T09:01:35","date_gmt":"2026-08-06T12:01:35","guid":{"rendered":"https:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/?p=1173"},"modified":"2026-08-31T09:51:58","modified_gmt":"2026-08-31T12:51:58","slug":"quando-as-folhas-secam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/quando-as-folhas-secam\/","title":{"rendered":"QUANDO AS FOLHAS SECAM"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por algum tipo de engano, a gente costuma se frustrar quando vemos os ramos da nossa \u00e1rvore perderem o vi\u00e7o. <br><br>As plantas deveriam ser sempre verdes e esbeltas; \u00e9 assim que desejamos viver. \u00c9 assim que queremos ser: sempre com vi\u00e7o e com a pele rosada. \u00c9 um sin\u00f4nimo de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, ao observar um pequeno p\u00e9 de feij\u00e3o que fica na minha sacada, uma sacada pequena no meio de uma cidade grande, apertada assim como eu, percebi que a r\u00e9gua com que costumo medir a sa\u00fade das coisas, esse vi\u00e7o incessante que eu gostaria que elas tivessem, n\u00e3o possui rela\u00e7\u00e3o com as coisas concretas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meu pequeno p\u00e9 de feij\u00e3o vive entre altos e baixos. Ele come\u00e7ou com uma semente pequena, um presente aleat\u00f3rio que recebi. <br>Em alguns momentos, tenho a impress\u00e3o de que o meu cuidado com ele faz toda a diferen\u00e7a. Confio nisso e me dedico a regar, at\u00e9 mesmo a colocar algum tipo de adubo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o tempo, percebi que isso n\u00e3o \u00e9 tudo; ao menos, o meu m\u00e9todo n\u00e3o funciona sempre. O inevit\u00e1vel acontece. Em algum momento ele seca, as folhas caem e tenho a impress\u00e3o de que \u00e9 o fim dele na minha vida. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas ele costuma dar sementes. Sempre. Como compro feij\u00e3o em supermercados, empacotado e selecionado, n\u00e3o tenho o h\u00e1bito de colher as sementes do meu p\u00e9 de feij\u00e3o. A vagem cresce, verde e esbelta; em poucos dias ela tamb\u00e9m seca e as sementes caem. Nasce outro p\u00e9, bem ao lado dele. Enquanto um nasce, o outro morre. E esse ciclo j\u00e1 vai completar um ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As sementes surgem, uma nova plantinha cresce, mas a bem da verdade \u00e9 que nenhuma das plantas que cresce nesse meu vaso ir\u00e1, de fato, cumprir o seu papel de alimentar algu\u00e9m. Esse humilde p\u00e9 de feij\u00e3o alimenta apenas a minha imagina\u00e7\u00e3o, posso dizer que at\u00e9 a minha alma, pelo simples fato de estar ali, rotineiramente vivendo e morrendo, sem nunca perder o \u00edmpeto. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele ainda n\u00e3o cumpriu o seu papel, eu tamb\u00e9m n\u00e3o; enquanto isso, sigo tentando imitar a vida dele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As sementes seguem germinando, mesmo apertadas neste mundo. O fim n\u00e3o importa, ningu\u00e9m o sabe; o p\u00e9 de feij\u00e3o jamais sonhou com ele, e isso nunca o impediu de fazer o que precisa fazer: produzir sementes que crescem, morrem, crescem de novo e morrem de novo. <br><br>At\u00e9 que o fim seja alcan\u00e7ado ou que, talvez, esse pr\u00f3prio processo seja um fim em si mesmo. <br><br>Enfim, o fim n\u00e3o importa.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por algum tipo de engano, a gente costuma se frustrar quando vemos os ramos da nossa \u00e1rvore perderem o vi\u00e7o. As plantas deveriam ser sempre verdes e esbeltas; \u00e9 assim que desejamos viver. \u00c9 assim que queremos ser: sempre com vi\u00e7o e com a pele rosada. \u00c9 um sin\u00f4nimo de sa\u00fade. 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