{"id":226,"date":"2023-07-20T09:27:21","date_gmt":"2023-07-20T12:27:21","guid":{"rendered":"https:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/?p=226"},"modified":"2025-07-02T17:12:58","modified_gmt":"2025-07-02T20:12:58","slug":"medo-de-errar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/medo-de-errar\/","title":{"rendered":"MEDO DE ERRAR"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Perder um p\u00eanalti \u00e9 um dos piores fardos do futebol. Alguns podem se lembrar de Roberto Baggio na final da Copa do Mundo de 1994 ou, ainda pior, de Alexandre Pato pelo Corinthians tentando fazer uma cavadinha. Temos muitos exemplos. Mas, para o torcedor, depois que a raiva passa, deveria entrar em campo a tal da empatia com o ser humano que cometeu aquele erro involunt\u00e1rio. N\u00e3o deve ser f\u00e1cil perder um p\u00eanalti.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caso voc\u00ea n\u00e3o se compade\u00e7a com o jogador, que fique claro, deveria, pelo menos um pouco. Mesmo que tenhamos aquela pretensa ideia de que eles recebem muito bem para fazer o que fazem e que deveriam acertar a maioria das coisas, eles s\u00e3o pessoas como n\u00f3s e, quando conseguimos acessar um pouco de auto sinceridade, ainda temos a capacidade de perceber que erramos muitos p\u00eanaltis diariamente, que n\u00e3o dever\u00edamos errar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As cobran\u00e7as de p\u00eanalti s\u00e3o muito semelhantes \u00e0 t\u00e9cnica de um arqueiro. \u00c9 preciso ter o bra\u00e7o firme, manter o olhar atento ao alvo e, basicamente, em rela\u00e7\u00e3o ao preparo f\u00edsico, \u00e9 isso. Mas &#8220;a coisa&#8221; est\u00e1 na mente e os arqueiros falam justamente dessa forma. Ao puxar a flecha, eles tentam se manter conectados ao arco enquanto aguardam um sinal do pr\u00f3prio corpo dizendo que est\u00e1 na hora de soltar a flecha. Esse sinal \u00e9 chamado de &#8220;a coisa&#8221; &#8211; uma tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas. Para compreender esse sinal, os atletas precisam lidar com a mente mais do que com o corpo, o que faz do arco e flechas um esporte mais mental do que f\u00edsico. Na hora do p\u00eanalti, o que mais conta \u00e9 isso: a mente firme orientando os movimentos do corpo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse \u00e9 um dos grandes problemas das cobran\u00e7as de p\u00eanalti. As disputas ocorrem depois de 90 ou 120 minutos de jogo. Isso significa que o estado de fadiga muscular dificulta a compreens\u00e3o dos movimentos e interfere na mensagem transmitida pela mente de que chegou a hora de acertar o alvo. O jogador pensou, imaginou que chutaria a bola em tal dire\u00e7\u00e3o, e ela vai para fora ou para as m\u00e3os do goleiro, que a cada ano ficam mais altos e \u00e1geis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cobrar p\u00eanaltis \u00e9 a &#8220;Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen&#8221; &#8211; e podemos perceber isso nos grandes batedores. Para citar o nosso Neymar, que trava um duelo com o goleiro, olho no olho, e sem utilizar for\u00e7a, coloca a bola na dire\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 que o goleiro caiu. Ele espera &#8220;a coisa&#8221; e solta a flecha na hora certa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em nossas vidas, as cobran\u00e7as de p\u00eanalti s\u00e3o semelhantes \u00e0queles momentos em que sabemos que precisamos fazer alguma coisa. Pedir um aumento, interferir em uma confus\u00e3o, abordar algu\u00e9m, seja um cliente, um affair ou qualquer outra pessoa&#8230; Aquele momento em que ainda sentimos um frio na barriga. Um tipo de mensagem do corpo que, se for bem treinada, pode nos levar a fazer muitos gols. \u00c9 um sinal de a\u00e7\u00e3o e n\u00e3o agir conforme esse sinal \u00e9 muito semelhante a chutar a bola para fora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quantas situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o proteladas por conta da neglig\u00eancia desses momentos, por medo de viver uma cobran\u00e7a de p\u00eanaltis. Jogadores de futebol acabam sendo levados a lidar com esse tipo de momento, quer eles queiram, quer eles n\u00e3o queiram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acertar um p\u00eanalti em uma final de campeonato \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de dupla satisfa\u00e7\u00e3o. Acertar \u00e9 t\u00e3o satisfat\u00f3rio quanto n\u00e3o errar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 a mesma coisa com nossos momentos corriqueiros da vida. Temos a tend\u00eancia de viver em &#8220;lugares&#8221; que n\u00e3o nos confrontam com essa dualidade de acerto e erro, e dessa forma, parece muito f\u00e1cil questionar um atleta que erra um p\u00eanalti. Mas a maioria de n\u00f3s nem mesmo considera se colocar nesse tipo de situa\u00e7\u00e3o. A maioria de n\u00f3s sente &#8220;a coisa&#8221;, o momento de soltar a flecha, e acaba se recolhendo na pr\u00f3pria insignific\u00e2ncia por medo de errar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perder um p\u00eanalti \u00e9 um dos piores fardos do futebol. Alguns podem se lembrar de Roberto Baggio na final da Copa do Mundo de 1994 ou, ainda pior, de Alexandre Pato pelo Corinthians tentando fazer uma cavadinha. Temos muitos exemplos. 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