{"id":235,"date":"2023-07-21T11:52:01","date_gmt":"2023-07-21T14:52:01","guid":{"rendered":"https:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/?p=235"},"modified":"2025-07-02T17:12:24","modified_gmt":"2025-07-02T20:12:24","slug":"o-jeitinho-do-jornalismo-esportivo-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/o-jeitinho-do-jornalismo-esportivo-brasileiro\/","title":{"rendered":"O JEITINHO BRASILEIRO DE FAZER JORNALISMO"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Basta ter jogado meia d\u00fazia de partidas no col\u00e9gio para saber que o futebol n\u00e3o \u00e9 um esporte delicado. \u00c9 agressivo, competitivo e a maioria das brigas ocorriam, ainda ocorrem, em fun\u00e7\u00e3o de uma partida escolar. Mesmo que alguns te\u00f3ricos de boteco sejam firmes na teoria de que o futebol apenas serve como estopim para que a briga aconte\u00e7a, o fato \u00e9 que, num jogo de futebol, o &#8220;pau come&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reza a lenda que nas primeiras reuni\u00f5es da FA (Football Association) em uma especula\u00e7\u00e3o sobre abolir o chute nas canelas, houve protestos sobre isso ser a ess\u00eancia do jogo. Futebol \u00e9 jogo de for\u00e7a e uma for\u00e7a, em certa medida, agressiva, f\u00edsica e mental. Fazer for\u00e7a cansa, cedo ou tarde, e uns cansam mais r\u00e1pido do que outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Qualquer tipo de trabalho exige esfor\u00e7o e a energia vai acabar em algum momento. Dentro de um escrit\u00f3rio, \u00e9 preciso manter a mente focada em tarefas de rotina e burocr\u00e1ticas e se manter focado em tempo integral n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil nem vi\u00e1vel. Alguns neurocientistas afirmam que tarefas repetitivas s\u00f3 recebem 25 minutos de foco; ap\u00f3s esse tempo, a maioria tende a desviar-se para qualquer coisa, um mosquito, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eis que surge a turma do cafezinho, do cigarro, das redes sociais, apenas para despistar do trabalho fingindo que continua trabalhando. A turma do cafezinho no futebol \u00e9 t\u00e3o grande quanto nos escrit\u00f3rios, e da mesma forma, faz-se vista grossa para n\u00e3o colapsar o sistema. \u00c9 preciso manter a m\u00e1quina funcionando e ao que tudo indica, \u00e9 preciso aliviar a press\u00e3o para que a temporada chegue ao fim. Considerando apenas o campeonato brasileiro, s\u00e3o 38 jogos. Al\u00e9m disso, temos os campeonatos regionais, Copa do Brasil e Libertadores. Isso significa que um time campe\u00e3o pode ser obrigado a jogar algo pr\u00f3ximo de 60 partidas em uma temporada. \u00c9 mais do que um jogo por semana. Em alto n\u00edvel? Sem um cafezinho? Imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como dizem, &#8220;matar o tempo&#8221;, \u00e9 fundamental. Aqui no Brasil, quando a vit\u00f3ria est\u00e1 encaminhada, substitui-se o atacante, aplica-se o controle de bola e vamos assim at\u00e9 o ju\u00edz apitar o fim da partida. Todos em busca de um #sextou. Algo muito parecido quando sa\u00edmos na quinta-feira e no dia seguinte temos que encarar 8 horas de escrit\u00f3rio. Os olhos ficam atentos ao rel\u00f3gio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A turma do cafezinho futebol\u00edstico \u00e9 facilmente compreendida quando avaliamos o calend\u00e1rio e podemos nos compadecer dos atletas facilmente. O problema \u00e9 o corpo mole dos jornalistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Certo \u00e9 que existe um acordo de cavalheiros para que as simula\u00e7\u00f5es de falta e encena\u00e7\u00f5es dolorosas dos jogadores n\u00e3o sejam desmascaradas pela (impressionante) imprensa brasileira. O espectador assiste a imagem em close, repetidas vezes, em diversos \u00e2ngulos diferentes, todos enxergam que \u00e9 uma farsa, e em rar\u00edssimas vezes os jornalistas tocam nesse assunto. Existe excesso de jogo? Sim. Existe excesso de farsa? Sim, tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como j\u00e1 falamos muitas vezes por aqui, o jeitinho brasileiro n\u00e3o \u00e9 algo que nos traga dignidade. \u00c9 um problema grave e cultural, e claro, culpar algu\u00e9m ou algum agente por isso seria um equ\u00edvoco. \u00c9 um sistema cheio de detalhes e de culpados. Na verdade, somos 220 milh\u00f5es de culpados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De qualquer forma, uma parcela significativa desse problema pode ser trabalhada por meio do futebol. O Brasil \u00e9 o pa\u00eds do futebol, assunto mais popular, aqui, n\u00e3o h\u00e1. A pol\u00edtica sabe disso, as ideologias sabem disso e os jornalistas sabem disso. Mas em n\u00edveis mais rasos, como no caso de simula\u00e7\u00f5es de jogadores registradas por d\u00fazias de c\u00e2meras, fingir que n\u00e3o viu nada indica&nbsp; apenas mais um jeitinho brasileiro de lidar com a mentira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 podemos pensar que jornalistas europeus trabalham com material mais justo para os atletas. Menos jogos, mais estrutura e clareza na estrutura industrial. Mas isso n\u00e3o justifica o p\u00e9ssimo comportamento de jornalistas esportivos que mais se parecem com fofoqueiros de esquina do que profissionais do ramo. A turma do cafezinho sempre existir\u00e1 e faz parte de qualquer profiss\u00e3o. Atletas precisam trabalhar com o tempo que os joelhos aguentam, mas as atitudes reais, que todos podem comprovar com os pr\u00f3prios olhos, e que t\u00eam representado o cafezinho dos jornalistas, \u00e9 uma distor\u00e7\u00e3o sobre o que \u00e9 ou n\u00e3o real.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O jornalismo esportivo, principalmente aqui no Brasil, sempre foi um dos melhores m\u00e9todos para infiltrar ideias e conceitos. De maneira muito sutil, o espectador acredita que est\u00e1 apenas assistindo ao jogo do seu time quando, na verdade, est\u00e1 engolindo um discurso, uma narrativa, alguma coisa imposta para lhe fazer acreditar que a cultura do cafezinho \u00e9 apenas um tra\u00e7o do brasileiro. O jeitinho \u00e9 divulgado em todos os cantos desse pa\u00eds; o futebol \u00e9 um canh\u00e3o para a cultura do jeitinho brazuca de iludir a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Basta ter jogado meia d\u00fazia de partidas no col\u00e9gio para saber que o futebol n\u00e3o \u00e9 um esporte delicado. \u00c9 agressivo, competitivo e a maioria das brigas ocorriam, ainda ocorrem, em fun\u00e7\u00e3o de uma partida escolar. 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