{"id":62,"date":"2023-07-02T17:00:33","date_gmt":"2023-07-02T20:00:33","guid":{"rendered":"http:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/?p=62"},"modified":"2024-12-17T08:44:53","modified_gmt":"2024-12-17T11:44:53","slug":"uma-copa-do-mundo-sem-a-selecao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/uma-copa-do-mundo-sem-a-selecao\/","title":{"rendered":"COPA DO MUNDO SEM A SELE\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O futebol consegue agrupar pessoas em torno de um \u00fanico s\u00edmbolo. Ele cria o senso de unidade, e essa unidade, que carrega e emociona a equipe e os torcedores, oferece uma catarse tanto nas vit\u00f3rias como na frustra\u00e7\u00e3o das derrotas. Um castigo t\u00e3o incompreendido quanto a guerra \u00e9, ao mesmo tempo, t\u00e3o atraente quanto a vit\u00f3ria. De alguma forma, somos forjados sob o sentimento de vencer alguma coisa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os desafios, desde os primeiros passos, recebem aplausos euf\u00f3ricos da torcida quando s\u00e3o superados. Quem ir\u00e1 subjugar o impacto da alegria dos pais frente aos nossos primeiros passos cambaleantes rumo ao tombo inevit\u00e1vel? Desde o princ\u00edpio, ansiamos por aplausos e desejamos a vit\u00f3ria em nome da gl\u00f3ria, apenas por vencer a n\u00f3s mesmos. Sem p\u00f3dios nem pr\u00eamios. Apenas a vit\u00f3ria sobre o nosso corpo. A vit\u00f3ria em torneios surge apenas mais adiante, com um pouco mais de emo\u00e7\u00e3o. A gl\u00f3ria em ser considerado bom, o melhor dentro de alguma categoria ou localiza\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m do reconhecimento dos pais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem tenta imaginar um mundo menos competitivo ou nunca competiu, ou j\u00e1 foi vencido pelo medo de sentir-se derrotado. Sentir-se derrotado machuca a alma e paralisa as a\u00e7\u00f5es. O resultado disso \u00e9 que podemos ter ideias sentimentais de que a derrota deve ser extinta do conv\u00edvio social. Por conta disso, quanto menos competi\u00e7\u00e3o, para os desavisados e ing\u00eanuos, \u00e9 o mesmo que amenizar, e por que n\u00e3o eliminar, as frustra\u00e7\u00f5es que a derrota causa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a derrota faz parte de qualquer vit\u00f3ria. Por\u00e9m, ela n\u00e3o se instaura por acaso. A derrota n\u00e3o \u00e9 um fato, ela \u00e9 um mecanismo psicol\u00f3gico que pode acabar com a vida dos mais talentosos. A derrota \u00e9 a paralisa\u00e7\u00e3o pelo medo da vaia, ao mesmo tempo que o esquecimento sobre a honra sobre o que significa vencer. Sucumbir a esses mecanismos \u00e9 a \u00fanica derrota de um ser humano. Mesmo assim, para vencer alguma coisa \u00e9 preciso saber quem \u00e9 o advers\u00e1rio. E muitas vezes eles se parecem com equipes com uniformes diferentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Claro que uma equipe advers\u00e1ria sempre ir\u00e1 nos situar nessa grande guerra, mas eles n\u00e3o representam nossos maiores inimigos. Um atleta vive em constante guerra desde muito jovem. Aos nove anos, ele j\u00e1 ser\u00e1 levado ao combate emocional sendo cortado de um time ou precisar\u00e1 conter as l\u00e1grimas em uma final de campeonato. Em breve, com cerca de 18 anos, ter\u00e1 de lidar com a fama e as distra\u00e7\u00f5es, com a hierarquia de um clube, com as vaidades juvenis que n\u00e3o tiveram tempo de amadurecer e com a cr\u00edtica da imprensa. Acima de tudo, essa \u00e9 uma guerra contra a cultura ao seu redor. Um atleta est\u00e1 em guerra contra si mesmo desde o in\u00edcio, e estancar as brechas da sua mente, que acaba cedendo a tudo que est\u00e1 \u00e0 sua volta. A cultura empurra ideias e para vencer ele precisar\u00e1 conter a maioria dessas sugest\u00f5es. Esse \u00e9 o principal advers\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Podemos citar dezenas de jovens talentosos que seriam grandes estrelas do esporte n\u00e3o fosse algum problema oculto de adapta\u00e7\u00e3o em um pa\u00eds ou em uma competi\u00e7\u00e3o mais r\u00edgida. Altos sal\u00e1rios certamente os colocam em situa\u00e7\u00f5es em que distrair-se do objetivo \u00e9 muito atraente, por\u00e9m, o caminho nem mesmo come\u00e7ou, e o jovem atleta j\u00e1 mostra que est\u00e1 entregando os pontos. A sensa\u00e7\u00e3o de fama que as redes sociais entregam os confunde com sucesso. Sucesso jamais ser\u00e1 fama, mas sim o fruto de algo bem feito. O sucesso est\u00e1 no que o s\u00edmbolo em volta do atleta consegue entregar. Rom\u00e1rio teve sucesso, Bebeto, Ronaldos, Messi, D&#8217;Alessandro, Maicon\u2026 v\u00e1rios outros que n\u00e3o venceram Copas, mas foram fortes na batalha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nossos advers\u00e1rios mais tem\u00edveis n\u00e3o moram nas competi\u00e7\u00f5es, mas s\u00e3o habitantes de nossos pr\u00f3prios comportamentos e nos levam de mansinho para o abismo da derrota. Esses comportamentos s\u00e3o culturais. A neglig\u00eancia com nosso corpo \u00e9 um problema j\u00e1 antigo, por\u00e9m, a neglig\u00eancia com a mente \u00e9 uma epidemia atual. Nada acontece no v\u00e1cuo, e os fen\u00f4menos psicol\u00f3gicos percebidos no mundo tamb\u00e9m afetam a vida dos atletas. A desaten\u00e7\u00e3o e a fragilidade emocional tamb\u00e9m atuam no mercado da bola. Com atletas emocionalmente fr\u00e1geis, na pr\u00e1tica, perderemos mais jovens talentos para as redes sociais e para jarg\u00f5es da m\u00eddia do que para o mercado europeu. Ser\u00e1 poss\u00edvel, em alguns anos, a primeira Copa do Mundo sem a Sele\u00e7\u00e3o brasileira?&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O futebol consegue agrupar pessoas em torno de um \u00fanico s\u00edmbolo. Ele cria o senso de unidade, e essa unidade, que carrega e emociona a equipe e os torcedores, oferece uma catarse tanto nas vit\u00f3rias como na frustra\u00e7\u00e3o das derrotas. Um castigo t\u00e3o incompreendido quanto a guerra \u00e9, ao mesmo tempo, t\u00e3o atraente quanto a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":143,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-62","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronicas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":888,"href":"https:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62\/revisions\/888"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/143"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mentalidadedeatleta.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}