Não há feriados na vida espiritual nem espaço para descanso. A verdadeira guerra acontece no campo do espírito, cheia de imprevistos, repleta de dúvidas e incertezas. Na batalha espiritual, o inimigo utiliza todas as armas e vai muito além do que é esperado e considerado correto.
O final de semana e as férias são uma espécie de colheita maldita. O inimigo planta seus ardis durante a semana. Ele sabe que as ervas não irão florescer imediatamente, pois ele precisa de um tropeço. Esses tropeços são como adubo, água, sol. É tudo de que as ervas daninhas do inimigo precisam para vir à tona. O condicionamento foi seu primeiro truque. Ele conseguiu fazer com que o salário fosse vida, o trabalho fosse o modo de viver e o descanso da labuta, algo a se perseguir.
Nessa vida materialista, nossa batalha começa na segunda-feira. O trabalho é iniciado com esperanças. Esperança é a força motriz da vida espiritual, mas ela foi canalizada para a sexta-feira. A sexta-feira tornou-se uma simulação do Jardim do Éden. É como se estivéssemos voltando à casa do Pai, onde podemos novamente viver em paz. A paz, por sua vez — algo que buscamos tateando por aí —, é alcançada no sábado ou no Domingo de Aleluia, aquele dia em que podemos dormir mais e fazer algo fora da rotina de trabalho. Todas as rédeas estão soltas. O cavalo pode sair por aí, sem rumo.
Mas os feriados e as férias ganharam ares ainda mais divinos. Um feriado pode ser emendado ao outro. Pode nos trazer descanso legítimo e legal. Isso significa que estou descansando legalmente. A lei, tão obtusa e confusa, nessas horas torna-se clara. A lei diz: descansar. Eis, então, o que vou fazer.
Mas o nosso inimigo espiritual utiliza a lei dos homens para fazer morada em nosso território. Ao compreender os desígnios da lei dos homens, bastou-lhe inserir alguns elementos corrosivos — alguns poucos, como as palavras emprego, salário e feriado — para fazer tombar milhares de tropas aliadas. Uma reação em cadeia, mimética, em bando, que só pode ser contida por mártires sociais. O sacrifício na guerra tem um preço muito menor do que o seu prêmio. A salvação espiritual parece ser um caminho inevitável, não somente por ser o único, mas por ser o sentido humano para estar aqui.
Quantas vezes presenciei pais e mães deixarem seus filhos à mercê de alguns perigos para verem como irão reagir. Os pais, os bons pais, querem força e autonomia para seus filhos; querem ver a semente germinando e sendo capaz de resistir aos ataques naturais que irão surgir. Deus está vendo; Deus está me vendo agora mesmo, neste instante em que eu escrevo, esperando para ver como reajo aos ataques.
A esperança não pode estar na sexta-feira. A minha esperança precisa estar na salvação da minha alma e na busca por salvar mais almas. Que assim seja.