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O DISCURSO NÃO FECHA

Posted on 1 de outubro de 20267 de outubro de 2026

Problemas com o nosso meio ambiente. Eu acredito. Passei minha infância entrando no Guaíba, visitando algumas praias de Santa Catarina. Naquele tempo, não havia problema algum com estas águas. Mas a notícia vinha descendo, do Rio Tietê até nós aqui no Sul.

Fato é que hoje é possível, inclusive, ver com os próprios olhos que as águas não estão tão limpas. Mas tem um detalhe mais importante, eu diria até fundamental: a lógica percebida sem ser explicada. Ou, quem sabe, a lógica subvertida.

O cidadão comum de Porto Alegre passa pelas ruas e percebe que existe um esgoto a céu aberto , o arroio apelidado de Dilúvio, que recebe grande parte dos dejetos da cidade. Ninguém precisa pesquisar, tampouco fazer uma análise da água. Basta passar por ali e sentir o cheiro, e observar a cor indescritível do arroio. Mas acontece que esse arroio deságua diretamente nas águas que abastecem a cidade: o rio, ou lago Guaíba. Isso nunca pareceu fazer sentido. Um tipo de teste para o tratamento de água?

De qualquer forma, quando se fala em problemas ambientais, leia-se aquecimento global, super El Niño, poluição…, no momento, a solução inquestionável da mídia mainstream são os carros elétricos. Parece válido, interessante, mesmo que seja intrigante, do ponto de vista humano, que seja necessário mudar a matriz energética ao invés de explorar todas as formas possíveis. Mas o que me pega é o fato de que as pequenas coisas que seriam possíveis de serem feitas não são nem feitas, nem comentadas.

O plano para o Arroio Dilúvio, isso em 1994, era o de uma revitalização esplêndida, aos moldes europeus, com pedalinhos e decks para apreciação da vista. Trinta anos depois, simplesmente esquecemos dessa promessa e agora estamos nos interessando por adquirir carros elétricos com isenção de IPVA por alguns anos.

O discurso não fecha. Não faz sentido algum, e tudo parece convergir para o interesse individual, nada além.

As muitas modalidades esportivas coletivas que praticamos deveriam ter nos ajudado a funcionar como um time. Pequenos times dentro de uma sociedade poderiam, eu acredito, trabalhar na mesma direção. Poderiam, e eu acredito; mas, com essa história mal contada de que o mundo está acabando, portanto vamos trocar os carros, nenhum ser humano irá conseguir deixar de seguir a própria vontade para um bem supremo.

Para uma história fazer morada nos corações, ela precisa ter coerência em todos os pontos. Ela precisa ser e representar uma verdade humana. Um discurso artificial pode ser desmascarado observando o seu resultado prático. Caso a conversa estivesse focada em eliminar as sacolas dos supermercados, encontrar soluções melhores para nossas embalagens e trabalhar de forma inteligente com os nossos esgotos, eu acredito que esses pequenos times que temos em nossa sociedade iriam compreender que, ao jogarmos todos juntos, as coisas ficariam bem.

Uma narrativa pode ser construída, mas a verdade indestrutível é percebida pelo ser humano, mesmo por quem não sabe explicá-la.

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