Por algum tipo de engano, a gente costuma se frustrar quando vemos os ramos da nossa árvore perderem o viço.
As plantas deveriam ser sempre verdes e esbeltas; é assim que desejamos viver. É assim que queremos ser: sempre com viço e com a pele rosada. É um sinônimo de saúde.
Mas, ao observar um pequeno pé de feijão que fica na minha sacada, uma sacada pequena no meio de uma cidade grande, apertada assim como eu, percebi que a régua com que costumo medir a saúde das coisas, esse viço incessante que eu gostaria que elas tivessem, não possui relação com as coisas concretas.
Meu pequeno pé de feijão vive entre altos e baixos. Ele começou com uma semente pequena, um presente aleatório que recebi.
Em alguns momentos, tenho a impressão de que o meu cuidado com ele faz toda a diferença. Confio nisso e me dedico a regar, até mesmo a colocar algum tipo de adubo.
Com o tempo, percebi que isso não é tudo; ao menos, o meu método não funciona sempre. O inevitável acontece. Em algum momento ele seca, as folhas caem e tenho a impressão de que é o fim dele na minha vida.
Mas ele costuma dar sementes. Sempre. Como compro feijão em supermercados, empacotado e selecionado, não tenho o hábito de colher as sementes do meu pé de feijão. A vagem cresce, verde e esbelta; em poucos dias ela também seca e as sementes caem. Nasce outro pé, bem ao lado dele. Enquanto um nasce, o outro morre. E esse ciclo já vai completar um ano.
As sementes surgem, uma nova plantinha cresce, mas a bem da verdade é que nenhuma das plantas que cresce nesse meu vaso irá, de fato, cumprir o seu papel de alimentar alguém. Esse humilde pé de feijão alimenta apenas a minha imaginação, posso dizer que até a minha alma, pelo simples fato de estar ali, rotineiramente vivendo e morrendo, sem nunca perder o ímpeto.
Ele ainda não cumpriu o seu papel, eu também não; enquanto isso, sigo tentando imitar a vida dele.
As sementes seguem germinando, mesmo apertadas neste mundo. O fim não importa, ninguém o sabe; o pé de feijão jamais sonhou com ele, e isso nunca o impediu de fazer o que precisa fazer: produzir sementes que crescem, morrem, crescem de novo e morrem de novo.
Até que o fim seja alcançado ou que, talvez, esse próprio processo seja um fim em si mesmo.
Enfim, o fim não importa.