Skip to content
Menu
VOLTAR

VAMOS ABRIR: AS POSTAGENS DA ESPERANÇA

Posted on 4 de setembro de 20267 de outubro de 2026

Nos anos 90, Silvio Santos apresentava a Porta da Esperança. Era puro assistencialismo televisionado com pessoas expondo suas dores diante das câmeras na expectativa de que, ao abrir aquelas portas cenográficas, um caminhão de prêmios iria resolver uma vida inteira de escassez.

O programa funcionava porque tocava em um ponto nevrálgico do brasileiro: a aversão ao planejamento.

Por aqui, quase nada é fruto de projeto. Da escola que empurra conteúdos desconexos aos 22 milhões de jovens apostando o almoço em cassinos online, a cultura sempre foi a mesma: confiar na sorte, jogar a moeda para o alto e esperar que um milagre aconteça.

O mercado digital penetrou nesse vício cultural e o transformou em modelo de negócios.

Hoje, o empresário médio é cobrado para atuar nas redes. Atuar, participar, ingressar e investir tempo e dinheiro. Basta isso. E como um sujeito sem projeto, com um martelo e um balde de pregos,  ele vê qualquer pedaço de madeira na rua e prega. Prega na parede de casa, no poste, no muro do vizinho. Não há planta, não há móvel sendo construídos, não há arquitetura. Mas ele continua martelando porque o movimento dá a falsa sensação de progresso: “estou fazendo alguma coisa”. É a clássica procrastinação do colarinho branco: muito suor, pouca direção.

No feed, isso se traduz nas postagens da esperança.

O sujeito produz conteúdo vazio sem entender a engrenagem, posta três vezes na semana porque uma agência disse que isso era fundamental e fica ali, olhando para a tela, esperando que a porta premiada se abra. Ele até se ilude quando o engajamento bate quatro ou cinco dígitos.

Mas a porta não vai abrir. A verdade é que nem no programa ele está inscrito.

Uma ferramenta sem projeto não serve para nada. Na verdade, é desperdício de energia. Um martelo sem planta só serve para rachar madeira, machucar os dedos e desperdiçar pregos.

A comunicação de uma empresa não começa nas redes sociais; ela começa na mesa de cirurgia da sua própria operação. Enquanto você não souber exatamente quem você é, que problema resolve e que postura sustenta diante do mercado, abrir o aplicativo para “produzir conteúdo” é apenas a versão moderna de acender uma vela para a sorte.

A vida da sua empresa não vai mudar com as postagens da esperança. 

A sorte das redes sociais é cenográfica. Primeiro construa um projeto; a ferramenta vem depois.

Compartilhe
  • Whatsapp
  • Facebook
  • Twitter
  • Linkedin

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Newsletter

Assine nossa newsletter e comece a transformar sua rotina hoje.
©2026 | WordPress Theme by Superb WordPress Themes